domingo, 31 de outubro de 2010

Halloween


(((Na noite em que recordamos as tradições que uniram os antigos celtas aos cultos cristãos do culto, lembrança dos que já partiram. Tradição muito antiga em que se acreditava que do outro reino, o da escuridão regressavam para o contacto com os vivos. 
Com pouca tradição em Portugal, esta tradição tem em localidades mais a norte, algum impacto nas tradições culturais locais. Quem já esteve em Montalegre e participou na noite das bruxas conhece o lado mais lúdico desta tradição que tem nos países de cultura anglo-saxónica uma expressão significativa).

Imagem, in http://www.google.pt

terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Bibliotecas nos Livros


«A Biblioteca protege da hostilidade exterior, filtra os ruídos do mundo, atenua o frio que reina em volta, mas confere, igualmente, uma sensação de omnipotência. Porque a biblioteca faz recuar as pobres capacidades humanas: ela é um espaço concentrado do tempo e do espaço. Reúne nas suas prateleiras todos os estratos do passado. Ali estão os séculos que nos precederam

Das Origens da nossa crise





"Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam. Isso não acontece com os nosso alunos porque são obrigados a demonstrar competências".

"A democratização de acesso implica verdadeira abertura social e de mobilidade, o que cria pressão junto de determinadas elites que não deixaram de reagir. Há uma democratização mal tolerada do acesso aos diplomas escolares". (1)

(A Agência de Qualificação que gere as Novas Oportunidades revela-nos do alto do seu templo, como a nossa crise é já sobretudo uma decadência nas ideias. Resta-nos o humor. Com ele talvez derrubemos os elevados muros de «Jericó».)

(1) Luís Capucha, Jornal Público, http://www.publico.pt
Imagem, http:www.Lucky-luke.com

segunda-feira, 25 de outubro de 2010


Um vídeo de Ken Robinson coloca-nos questões importantes sobre os fundamentos e modos como os sistemas educativos têm sido organizados. Para reflectir.

As Bibliotecas e os Meios Tecnológicos

Os últimos vinte anos viram nascer gradualmente a utilização de ferramentas tecnológicas que nos trouxeram a possibilidade de chegar ao contacto com o mundo de uma forma muito mais rápida e interactiva no contacto com a informação. Esta aproximação aos media em contexto educativo permitiu delinear novos campos, como sejam a promoção do trabalho colaborativo, a experimentação, a capacidade reflexiva e a integração das Literacias da Informação e Digitais.

A Biblioteca apresenta-se assim como uma estrutura que faz a gestão da informação, ajudando a uma construção do conhecimento suportada numa utilização adequada e criteriosa dos meios tecnológicos. Longe de ser apenas um espaço que oferece recursos, a Biblioteca ao utilizar os meios tecnológicos pode aproximar-se dos seus utilizadores e dar resposta aos factores que trazem os media aos jovens (os novos tempos e espaços das famílias; os novos ritmos sociais; a urbanização; as condições de vida).

Numa Biblioteca Escolar, os meios tecnológicos permitem apoiar o currículo em diferentes modos, pela abordagem que dão ao processo educativo na construção de recursos. As Bibliotecas Escolares actuam nas Literacias de Leitura e Informação pela divulgação que fazem da informação e das actividades em que promovem as capacidades leitoras dos seus alunos. E envolvem-se em parcerias, trocas de ideias e promoção e divulgação de actividades em comunidades nacionais e internacionais, assegurando à Biblioteca Escolar uma componente de grande dinamismo local.

Mas existem questões por resolver que poderão limitar profundamente esta transformação.
1º - A desejada transformação pelos recursos implica uma análise cuidada do que se poderia chamar os aspectos simbólicos. Isto é não ficar apenas no horizonte tecnológico, mas cuidar da ideia, do processo metodológico. É indispensável pensar na relação que jovens e adultos, alunos e professores têm com os media e como os integram no seu quotidiano educativo e escolar.

2ª - As ferramentas tecnológicas são um recurso, uma estratégia e uma oportunidade de fazer evoluir a escola para campos novos. Mas existem questões por resolver que poderão limitar profundamente esta transformação. A escola continua amarrada a um modo de funcionamento, essencialmente vinda do passado, muito hierarquizada que não responde aos deafios que o mundo coloca. A tecnologia por si só não oferece as oportunidades de transformação, limitando as possibilidades dos indivíduos de se afirmarem no seio das organizações.

Entre Tecnologia e Cultura, os meios tecnológicos necessitam que o sistema educativo dê uma oportunidade à imaginação. Com uma demografia em queda, nos países desenvolvidos, com as crises financeiras do capitalismo mundial, a escola necessita de uma ideia nova. Segundo a Unesco, nos próximos trinta anos, irá estudar mais gente através do sistema formal educativo no mundo, do que desde o princípio da História. Os recursos tecnológicos, se estruturados com metodologia poderão criar uma oportunidade para mudar o sentido da aprendizagem tornando os indivíduos críticos aos processos que vivem.

Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

Cartaz_BE

domingo, 24 de outubro de 2010

As Palavras pelos Dias

«Lembro-me, a mãe subia
pela tarde transportando
pequenos vasos de
orquídeas, cavando junto
ao muro alto
onde se abrigavam pezinhos
de hortelã e crisântemos, vigiando
o florir lento dos antúrios
pondo e dispondo flores
com uma atenção muito grave
feita de silêncio e
cuidado

Lembro-me, os dias contavam-se
por esses aromas, lisas invocações (...)

Nesses dias já Adriano
atingira os confins da Grécia
e ao olhar a neve
no alto do etna alcançou
uma felicidade que

pensou jamais seria
turva

mas são precárias
as imagens que
rolam pelas encostas difíceis

Adriano não sabia»

José Tolentino Mendonça, «A Primeira Morada», in Os Dias Contados
Imagem, http://1x.com

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Diários e Notas de Marilyn

É sem dúvida um dos acontecimentos editoriais do final de ano. Fragments, junta os diários pessoais, as notas, os fragmentos das ideias de uma das mulheres mais intrigantes e belas do século XX e da própria contemporaneidade. Criação de um mito durante muitas anos foi associada a uma ideia, estereotipo de  um tipo de mulher que não sabia pensar, que existia formalmente na matéria. Amava diamantes, «derretia» os corações dos «gentleman», a quem seduzia com uma inocência desconcertante e animou Hollywood como poucos ícones. 

Mas, Marilyn foi muito mais que isso. Tinha uma luz interior, admirava poetas tão variados como Rilke, Joyce, Withman e procurou pela literatura encontrar um sentido para a vida, resgatar pelas palavras uma qualquer ideia de felicidade. E não era a loira sem ideias que a cinematografia a associou em variadas ocasiões. Fragments devolve-nos o drama de quem tem a sensibilidade de um artista, mas sente-se incapaz de soltar a máscara e apresentar-se com as ideias que de facto tinha sobre a vida, a arte e o mundo.

A atmosfera dos seus dilemas e da personalidade são agora apresentados em  Fragments. É uma oportunidade para conhecer melhor um dos ícones do século XX, cuja beleza tinha diferentes graduações e era muito mais interior do que os anos sessenta pensaram. A sua  beleza, imensa e misteriosa albergava «uma alma de intelectual e de poeta» (1). Afinal a beleza, é uma construção, ou poderá ser antes uma luz interior, uma animação de alma capaz de suportar a solidão? De qual carecemos mais para resgatarmos os dias de imaginação e o bem-estar?

(1) Antonio Tabucchi, Ípsilon, http://www.publico.pt

Bibliotecas ...

domingo, 17 de outubro de 2010

Do Reino da Simplicidade...

«Sobre o ranking das escolas, (...) digo apenas que a ele corresponde um grande título, [Como o Governo Sócrates ajudou a liquidar a escola pública].» (1)

Após anos de reflexão, o professor compreende o que os que viveram a desorganização da escola e a desconfiança absurda pelo seu trabalho foram sentindo quotidianamente. Uma figura destacada dos media, encontra aquilo que uma ideologia patrocinada pelos spin-doctors que viam no professor o inimigo de um sistema sentiram regularmente. Finalmente na virtualidade da televisão denuncia-se como uma ideologia que pretendia vender o sucesso como um direito absoluto, universal, indiferente ao esforço e ao compromisso. Sendo já um pouco tarde, é sempre caso para saudar tão perspicaz conclusão.

Desse Reino que nos foi vendido em sessões de part-time governativo, justamente a Finlândia alguns princípios que são efectivamente as causas do sucesso desse país nórdico, constatado nos testes da OCDE e do PISA: 

« - um currículo de nove anos abrangente para todo o grupo etário; 
  - O ensino é ministrado nas escolas perto de casa; 
  - Sem diploma, o certificado final apenas contempla o ter completado o currículo; 
  - Ensino, livros didácticos e materiais pedagógicos, transporte e refeições são gratuitos;
 - A educação básica inclui um ano de educação voluntária longa pré-primária numa escola ou centro de dia; 
 - As autoridades locais podem também fornecer actividades de manhã ou à tarde para alunos do ensino básico;
 - São fornecidos todos os necessários pré-requisitos para o ensino secundário;» (2) (3)

Acham que por aqui se compreende uma simplicidade destas? Tranquilidade nos espaços, rede efectiva de apoio diferenciado aos alunos, preocupação por aprender e compromisso pela responsabilização e avaliação dos procedimentos. Não é novidade. Já o sabíamos. Mas é sempre reconfortante alguém, figura destacada dos media nos vir animar com a confirmação das razões de um desastre que promove a desigualdade social e nos impede de sermos uma sociedade com reais e não aparentes oportunidades.

(1) Marcelo Rebelo de Sousa, Jornal da Noite, TVI, 17 de Outubro de 2010
(2) educar.wordpress.com


Dia Internacional da Erradicação da Pobreza


(Há dias, há realidades quotidianas que dispensam palavras pelo esmagamento a que seres humanos estão condicionados. Pelas oportunidades, pela educação, por aquilo que envolve as opções das sociedades. E há o cansaço de vermos cada vez mais pessoas nas sombras, onde o contributo delas e a consciência se destroem sem que esse direito mínimo seja garantido. Em Portugal há nove mil pessoas sem tecto e dois milhões de pobres. São o sinal mais visível do falhanço de uma comunidade.

sábado, 16 de outubro de 2010

Concertos de Música no Outono - Misty em Sintra

(Quem viveu a adolescência pelos anos oitenta reconhece-lhe o som e a poesia. Um pouco mais velho, tal como nós, mas ainda com as palavras e os ritmos como instrumentos que nos fazem respirar pelos dias.
Lloyd Cole, já sem Commotions, mas com a poesia de sempre. No Centro Cultural Olga Cadaval, amanhã, ao princípio da noite.)

«Parabéns Sr. Engenheiro» ...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Uma distinta sabedoria



«Os meus livros são, afinal, ou só isso, a oportunidade de milhões de almas, únicas todas elas, almas de sapinhos cheios de importância de viver. [...] Uns partem um pouco depois de dizerem bom dia, outros ficam até morrer. Todos se continuam naquilo que têm de profundamente entre si – a vocação para serem sós, porém aceites por cada um dos outros. Porque a solidão que me acusam de impor aos meus personagens, como uma grilheta, é apenas a sua individualidade biológica, a exclusividade, a reivindicação superior da sua própria luta. Um homem jamais corresponde a outro homem; as suas reacções e conclusões não equivalem a vivência de outra alma, a experiência doutro eu. O mistério da vida cumpre-se em cada homem de uma forma única.» (1)

Retemos dela uma ideia de uma luz de quem caminhou ao contrário, da maturidade para a infância, de quem nos ensinou que a vida é demasiado importante para ser levada a sério e que por isso nada mais difícil do que o gesto grave, a dureza do caminho, para os que procuram um lugar de felicidade, de conquista de individualidade. Por isso as fórmulas rápidas e fáceis são inexpressivas de qualquer verdade, pois em cada ser há uma respiração diferente.

Nas suas obras, as mulheres de diferentes gerações revelam essa aspiração de humanidade, que condensam o que viveram, o que sonharam, em luta com o real sem se saber se se ousou o suficiente, se a afirmação foi suficiente para chegar a esse momento quase final em algo que se compreendeu. 

É uma das grandes figuras da cultura portuguesa deste século. Pela escrita, pelos temas, pelo humor e por aquele sorriso de quem já parece ter percebido o sentido das coisas e por isso sorri para o horizonte, como a criança acabada de nascer. Chama-se Agustina Bessa-Luís e faz hoje oitenta e oito anos. Deixamos um excerto do final desse grande livro, Sibila:

«É esta a mais grandiosa história dos homens, a de tudo o que estremece, sonha, espera e tenta, sob a carapaça da sua consciência, sob a pele, sob os nervos, sob os dias felizes e monótonos, os desejos concretos, a banalidade que escorre das suas vidas, os seus crimes e as suas redenções, as suas vítimas e os seus algozes, a concordância dos seus sentidos com a sua moral. Tudo o que vivemos nos faz inimigos, estranhos, incapazes de fraternidade. Mas o que fica irrealizado, sombrio, vencido, dentro da alma mais mesquinha e apagada, é o bastante para irmanar esta semente humana cujos triunfos mais maravilhosos jamais se igualam com o que, em nós mesmos, ficará para sempre renúncia, desespero e vaga vibração. O mais veemente dos vencedores e o mendigo que se apoia num raio de sol para viver um dia mais, equivalem-se, não como valores de aptidões ou de razão, não talvez como sentido metafísico ou direito abstracto, mas pelo que em si é a atormentada continuidade do homem, o que, sem impulso, fica sob o coração, quase esperança sem nome.» (2)

(1) ; (2) - Agustina Bessa-Luís, in Revista "Lusíada", Porto, Outubro - 1955; Sibila

Blog Action Day - Uma Campanha Mundial pela Água


Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

Blog Action Day


Hoje, quinze de Outubro de 2010 comemora-se o Blog Action Day que tem o patrocínio de entidades tão diversas como a Unicef, a Greenpeace, a Environmental Defense Fund, o Blogger ou a Technorati. Com esta iniciativa procura-se avivar a consciência mundial sobre os problemas ambientais com que milhões de pessoas são confrontados. 

Uma das grandes questões ambientais com que o Planeta hoje se confronta é justamente o da conservação da água e o da sua natureza essencial à vida. A Poluição dos recursos hídricos, o abandono dos rios, como elementos de ecosistemas globais, como recursos do território e de marca da memória viva das populações são problemas de imensa gravidade, já não só para o futuro, mas para o presente do Planeta.

Aqui fica esta mensagem de apoio às Nações Unidas pelo seu esforço em levar levar água limpa e potável a milhões de seres humanos. Aos interessados que queiram conhecer o projecto e assinar esta petição de apoio, aqui fica o blogue que dinamiza esta iniciativa de dimensão planetária.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

tecendo, tecendo, tecendo, ...


things to learn from Matt Edgar on Vimeo.

E. E. Cummings


«(...)
Teu mais ligeiro olhar facilmente me revela
Embora eu já tenha me fechado, como dedos,
Abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
Tocando habilmente, misteriosamente sua primeira rosa (...)

Somente algo em mim entende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda do que todas as rosas.

Ninguém,
Nem mesmo a chuva
Tem mãos tão pequenas.»

(Nos cento e dezasseis anos do nascimento de um dos poetas mais importantes da América do século XX, pela forma inovadora na forma e pelos valores modernos, muito ligados ao coração e à individualidade humanas.)


(1) E. E. Cummings, «somewhere i have never travelled, gladly beyond»
     in poetryfoundation.org 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mês Internacional da Biblioteca Escolar



A ISLM, International School Library Month, estabelece anualmente um mês onde se salienta a importância das Bibliotecas Escolares.  As Bibliotecas são ferramentas insdispensáveis na formação de leitores, na procura de respostas aos interesses dos seus utilizadores e na  relação que é necessário estabelecer com as disciplinas e os respectivos professores. 

Fazer descobrir o gosto dos leitores, as suas necessidades de formação, promover a leitura e incentivar o desenvolvimento autónomo dos utilizadores são algumas das tarefas mais importantes de uma Biblioteca. Durante este mês as Bibliotecas do Agrupamento estão a fazer a sua apresentação aos seus utilizadores, assim como destacarão algumas iniciativas na promoção da Biblioteca como espaço de construção do conhecimento.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma Pergunta secular ... do pó da História


«Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por previlégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?»

Eça de Queiroz, O Distrito de Évora, 1867, 
citado dererumnatura.blogspot.com

Matilde Rosa Araújo


«Era uma vez uma menina com cabelos loiros caídos até aos ombros. Dos seus olhos claros - diz quem alguma vez os fixou - transbordava um mar de interminável ternura. Olhava para tudo como se fosse sempre a primeira vez. E a sua voz era uma das mais meigas e suaves que alguma vez se escutou. Eu, que a ouvi muitas vezes, digo-vos que Matilde nunca deixava de falar com a alma e o coração.»

(Um livro inspirador de simplicidade, onde a voz de Matilde se debruça na observação e dedicação aos outros. Escrito por Adélia Carvalho e ilustrado por Marta Madureira dá-nos uma leitura da vida de uma das mais importantes escritoras para a infância entre nós).

domingo, 10 de outubro de 2010

Memória e Saudade de Lennon


Imagine there's no heaven (Imagina que não existe paraíso)
It's easy if you try (É fácil se tu tentares)
No hell below us (Nenhum inferno abaixo de nós)
Above us only sky (E acima apenas o céu)

Imagine all the people (Imagina todas as pessoas)
Living for today (Vivendo para o hoje)
Imagine there's no countries (Imagina que não existem países)
It isn't hard to do (Não é difícil de concretizar)
Nothing to kill or die for (Nada pelo que lutar ou morrer)
And no religion too (E nenhuma religião também)

Imagine all the people (Imagina todas as pessoas)
Living life in peace (Vivendo a vida em paz)
You may say (Tu talvez digas)
I'm a dreamer (Que eu sou um sonhador)
But I'm not the only one (Mas eu não sou o único)
I hope some day You'll join us (Desejo que um dia tu te junte a nós)
And the world will be as one (E o mundo, então, será como um só)

Imagine no possessions (Imagina não existir nenhuma possessão)
I wonder if you can (Pergunto-se se tu consegues)
No need for greed or hunger (Sem necessidades e fome)
A brotherhood of man (Uma irmandade humana)
Imagine all the people (Imagina todas as pessoas)
Sharing all the world (Compartilhando o mundo)

You may say (Tu talvez digas)
I'm a dreamer (Que eu sou um sonhador)
But I'm not the only one (Mas eu não sou o único)
I hope some day You'll join us (Desejo que um dia tu te juntes a nós)
And the world will be as one (E o mundo, então, será como um só)

(Mais de quarenta anos depois os sons de Imagine, são de actualidade impressionante. Nos setenta anos do seu nascimento, Lennon guarda ainda em nós um canto de inconformismo por um mundo melhor.)

sábado, 9 de outubro de 2010

Entre a Modernidade...

(Na memória de Monsieur Hulot, a figura que Tati conseguiu criar num discurso narrativo a relembrar o cinema de Chaplin. Aqui numa cena de O Meu Tio, onde toda a estética moderna, da década de cinquenta já prefigura a nostalgia dos objectos usados, da tecnologia dominadora, das relações humanas ao encontro de uma simplicidade que se perdeu. Rodado em 1958, é já uma ideia para o sonho perdido que representará as décadas seguintes, onde hoje o conformismo e a tecnologia parece incapaz de restaurar uma ideia de progresso continuado.)

Jacques Tati, Mon Oncle, 1958, in http://www.publico.pt (20.04.2007)

Prémio Nobel da Paz 2010 ... ou «o desafio a Golias»

«Aquele que possui em si a plenitude da virtude é como a criança acabada de nascer». (1)

Nos dias e latitudes de aparente indiferença os Prémios dados pela Academia Nobel parecem muitas vezes uma iniciativa só vagamente interessante. E isso porque as sociedades ocidentais vivem num conformismo apático, indiferentes a uma participação cívica contínua e exigente. Existem, todavia espaços humanos onde qualquer respiração pela dignidade, qualquer reivindicação onde a Liberdade, os Direitos Humanos, a Igualdade perante a Lei, a Democracia como instrumento de princípios constitucionais implicam esforço e sobretudo muita coragem.

Herdeiro das manifestações de Junho de 1989, ma Praça da Paz Celestial (Tiananmen) tem lutado por meios pacíficos para que na China os valores universais sejam respeitados por um País em grande transformação económica. Subscritor da Carta 08, Liu Xiabo foi detido em períodos sucessivos, e encontra-se actualmente condenado a onze anos de prisão, sendo um dos dissidentes que luta por uma relação justa entre a nomenklatura partidária e o povo chinês.

É este antigo professor de literatura que este ano a Academia do Nobel decidiu premiar com o Prémio Nobel da Paz. E é um daqueles acontecimentos que espanta a lentidão dos dias e do conformismo, dos que na Europa se conformam com os trocos da explosão económica Chinesa, à qual tudo é possível aceitar. Nesse sentido, este Prémio Nobel da Paz 2010 é também um sopro corajoso nas adormecidas consciências que no Ocidente são primordiais, quando as compensações económicas são irrelevantes.

(1) Zhu Xiao-Mei, O Rio e o Seu Segredo

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ícones...

(Há quarenta e três anos terminavam os dias de curiosidade poética por um mundo a favor dos desprotegidos, onde imaginou sucessivas «revoluções» por esse Homem novo. Nas florestas da Bolívia morreu o guerrilheiro romântico, do qual muitos pensando-se livres, construíram este ícone do século XX).

«Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas


A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece


(1) Sophia, «Che Guevara», in O Nome das Coisas
Imagem, Ernesto Che Guevara, in http://oglobo.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro de 1910

A implantação da República em 5 de Outubro de 1910 é um dos grandes acontecimentos da História Contemporânea de Portugal, pelas tentativas de transformação de uma sociedade e pela originalidade que na Europa essa forma de governo era ainda pouco difundida.

Sobre uma monarquia pouco adaptada às transformações económicas e sociais do fim do século, os republicanos souberam aproveitar um imenso descontentamento social com as reais condições de vida da população, a que se juntava uma crise financeira, a difusão das ideias socialistas e a afirmação crescente em sectores operários das ideias republicanas.

A República foi a primeira tentativa no século XX de modernizar, democratizar e dar à população uma componente de cidadania, capaz de projectar o País numa nova ideia  de desenvolvimento e prosperidade.

Nesse sentido a educação como instrumento para formar cidadãos informados e participativos, onde desejavelmente adultos e crianças pudessem ser alfabetizados foi uma das suas grandes iniciativas. Desvincular o ensino da religião e criar um Estado Laico, sem religião oficial foram outras das suas dimensões. 

Acontece que a população, em grande maioria rural, estava pouco receptiva para as necessidades de escolarização. A República foi pouco sensível à situação social e económica das pessoas. Transformou a questão religiosa num dos seus aspectos centrais de governação e acabaria por afundar-se num conjunto largo de desilusões.

A crise financeira, a instabilidade governativa, um conjunto de instituições que não souberam dar garantias efectivas de democratização e de cidadania e os efeitos desastrosos na economia da participação na 1ª Grande Guerra, afectando a balança comercial afundaram a 1ª República. 

As ideias da 1ª República seriam retomadas em contextos diversos, após o fim do Estado Novo. A incapacidade de o sistema político reformar o próprio Estado e assim suavizar a organização social ou o papel pouco estruturado como as ideias dos intelectuais foram aproveitadas para a dinamização social foram constantes da História portuguesa do século passado.

A História do Século XX em Portugal é marcada por essa falta de integração do outro. Se a 1ª República fez as primeiras tentativas de democratização no século XX, é perturbador  verificar como na exposição da Cordoaria se podem ler diagnósticos sobre a situação social e económica que ainda hoje são pertinentes. As comemorações da implantação da República são sobretudo positivas, pela necessidade que o País tem de se confrontar com a sua memória. É com ela que se pode aprender a reconquistar o presente, ameaçado de uma falta gritante de ânimo.

Imagem, in http://5outubro.centenariorepublica.pt