sexta-feira, 14 de maio de 2010

Baltasar Garzón - Um Mundo Sem Medo

«Todos, querido Baltasar, estamos implicados no universo integrador dos direitos e obrigações humanos e temos a responsabilidade de conseguir que a situação mude. Deves ter definitivamente presente que a solidariedade é um valor moral que surge do princípio básico da igualdade entre os seres humanos e que se deve ultrapassar a situação de desigualdade real entre estes. Constitui, pois, uma atitude de oferecimento, de disposição e de entrega ao outro.

A solidariedade é, portanto, um compromisso político que dá sentido e realidade à luta pela dignidade do ser humano.

A cooperação humanitária e a ajuda internacional devem ser dirigidas para essa engrenagem económica e humanista na qual a defesa dos direitos humanos seja algo mais do que meros enunciados num papel ou numa norma.

Este é o futuro de um mundo sem medo e em paz, que recupere definitivamente a própria dignidade dos milhões de vítimas massacradas e esquecidas.»

(No dia em que Baltasar Garzón sai da Audiência Nacional, um livro que nos dá os passos para criar um mundo mais justo, empenhado na Justiça, na Solidariedade com a dignidade Humana. Um livro fascinante sobre como a vontade de espírito nos daria outros horizontes, contra a corrupção e o terrorismo. Um livro em forma de carta a um filho, que é, para nós a luta por uma causa nobre. A de reconhecer o esquecimento e lutar pela sentido da Justiça nas sociedades contemporâneas.)

In Memoriam - Saldanha Sanches


A memória dos dias leva-nos a destacar uma figura que respeitávamos pela sua dimensão cívica, pela participação nas ideias que devem servir a acção quotidiana, para que o acto público seja efectivamente nobre.

Fiscalista, professor de direito, resistente no Estado Novo à acção de um País fechado ouvimo-lo muitas vezes denunciar aquilo que tem sido o presente perdido num País adiado na esperança. Ouvimo-lo muitas vezes falar contra a corrupção dos interesses, a falta de rigor financeiro, a desonestidade intelectual de tantas medidas de um Estado tecnocrático.

Se numa vida se perde toda a humanidade, num País em que a acção política não tem ideias, vivendo de um discurso formal sem espírito, a despedida da vida de um homem como Saldanha Sanches é sempre uma imensa perda. A falta de humanismo no espaço público deixa-nos mais sós no difícil real que é o Portugal contemporâneo. Uma lembrança de agradecimento ao seu espírito vivo.