sábado, 13 de fevereiro de 2010

Agostinho da Silva - A simplicidade


«(...) tenho a coerência de ser incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso

É apenas a maior figura do pensamento português do século XX. Tinha de si uma ideia de humildade tão cativante como os sábios do renascimento. Quando olhamos para a sua voz colhemos nela uma brisa de frescura que trouxe dos horizontes de Barca D'Alva onde passou a infância. O seu espírito condutor de uma imensa e nobre liberdade faz-nos parecer seres desprovidos de orientação. Fundou no Brasil universidades e institutos com a sabedoria de quem vê no conhecimento a geografia criativa do Ser.

Em Portugal foi expulso do ensino, preso pela P.I.D.E., viveu de lições particulares onde seduziu com o seu pensamento original os que puderam ouvi-lo. Em 1969 regressou a Portugal e continuou a ensinar, a escrever, e sobretudo a maravilhar com a simplicidade de quem tem uma opinião sobre todos os assuntos. 

Nasceu no Porto, a 13 de Fevereiro de 1906 e deixou uma obra se extensa e dispersa, sobretudo criativa do génio maior do homem, a sua liberdade para se exprimir criativamente. Defensor de uma ética na condução das acções humanas e de um sentido de felicidade inerente ao ser vivo é hoje ainda mais quando viveu portador de uma mensagem que importa destacar e promover.


(1) http://fumacas.wordpress.com
Imagem, in bibliotecaflul.wordpress.com

Evocar Humberto Delgado


(A campanha de Delgado em 1958 à Presidência da República)

Lembramos os quarenta e cinco anos do desaparecimento violento de um homem que tendo vivido no interior do Estado Novo soube como adido nos Estados Unidos compreender que uma das facetas do homem moderno é a liberdade. Em 1958, como candidato da oposição congregaria um mar de esperança e de agitação no País, contra a máscara de Salazar que se impunha à própria realidade. Um tributo à coragem de um homem de contrastes, que contribuiu para renovar um regime isolado da modernidade e do progresso.

Imagem, in kontratempos.blogspot.com

Leituras (sobre Darwin)...

«(...) Henriqueta morreu no dia 23 de Junho de 2006, no jardim zoológico onde passou grande parte da sua vida, recordando sempre o nome e a vida de Charles Darwin, de quem, na linguagem especial das tartarugas, nunca deixou de afirmar que era amiga desde o tempo em que o Beagle chegou às ilhas Galápagos, povoadas por tartarugas, iguanas e milhares de outras espécies de animais que estiveram na origem da reflexão que levou um homem destinado a ser pastor protestante a tornar-se um dos maiores e mais revolucionários cientistas de todos os tempos.
 Como ninguém sabe o que se passsa para além deste mundo terreno em que todas as espécies coabitam, é bem possível que Henriqueta e Charles Darwin já se tenham encontrado algures, entre as nuvens, estrelas e cometas, e tenham dito um ao outro, numa linguagem de afectos que pode dispensar as palavras:
  - Aqui estamos outra vez juntos, mas agora para a eternidade.»


(Aqui tens um livro para conheceres a vida de Darwin e da sua tartaruga e de como o cientista inglês formulou as suas conclusões sobre a evolução das espécies).

Imagens, in afonsocruz.com

Charles Darwin

O Conhecimento como forma organizada de compreender o universo, como espaço físico e organizador da vida, é um processo que o Homem vem procurando realizar, desde que os Gregos se aventuraram por estes caminhos, no longínquo período clássico da História da Humanidade. A preocupação por entender com uma linguagem própria aquilo que nos é dado a observar foi perseguido por outros que marcaram a História da Ciência.

Charles Darwin que aqui hoje destacamos foi um deles. Nasceu a doze de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, na Inglaterra e a sua atenção, desde cedo se orientou para os fenómenos naturais. Estudou Teologia, onde contactou com o estudo de temas ligados à Geoologia e à Botânica. A sua vida e também um pouco a nossa alterou-se com a viagem que fez a bordo  do Beagle, que lhe permitiu recolher e observar para estudo fósseis e amostras da Natureza.

Com A Origem das Espécies e A Origem do Homem apresentou uma teoria nova sobre o fundamento do mundo natural.  Em A Expressão das Emoções defendeu a ideia de que quer o corpo, quer a mente sofrem processos de evolução. A ideia de que o Homem como espécie tinha evoluído de um antepassado comum seria um terramoto no campo das ideias. A sociedade burguesa do século XIX não podia aceitar as ideias que iam contra o seu próprio fundamento.

Pouco pensadores influenciaram tanto o mundo da Ciência como Darwin. A partir dele a Natureza apresentou-se-nos com outro olhar. A teoria evolucionista foi importante para a criação de outros campos científicos. A Biologia, a Medicina, a Antropologia são exemplos dessa procura da Ciência em se superar por fazer do mundo um todo inteligível. A capacidade de o homem se pensar a si próprio é um contributo que Darwin deixou. 

Embora as ideias que Darwin defendeu ao nível da evolução das espécies, da sua adapatibilidade ao meio natural tenham sido importantes na abertura a novos campos, elas em muitos aspectos não foram justificadas pela recente bioquímica. O Homem parece ser bem mais complexo na sua natureza do que aquilo que Darwin apresentou. É prudente reservar, tal como os Gregos faziam (a hybris), uma conciência dos limites que o Universo coloca às nossas acções.