sábado, 5 de março de 2011

Projecto Alfa

(1ºA)
(1ºC)
(3º/4ºD)

terça-feira, 1 de março de 2011

Memória de Vergílio Ferreira


Há quinze anos que deixou de trabalhar as palavras como um artesão, por onde romanceou a nossa existência que em tantos momentos se cerca da solidão e da interrogação do eu, num universo esquecido a uma ideia de protecção maior.

Escreveu alguns dos mais belos textos sobre a condição humana, os limites do espiritual e o corpo que nos embeleza os dias, os sonhos de conquista e a respiração. Foi um escritor de dimensão universal e textos como Manhã Submersa, Aparição ou Em Nome da Terra são livros a recuperar pela vastidão dos horizontes com que humanamente nos confrontamos na nossa individualidade. O excerto de Manhã Submersa, um livro marcante na vida de gerações pelas dúvidas com que confrontou o cinzentismo do real:

"(...) o peso da dor nada tem que ver com a qualidade da dor. A dor é o que se sente. Nada mais. Desisto definitivamente de me iludir com a minha força de adulto sobre o peso de uma amargura infantil. Exactamente porque toda a vida que tive sempre se me representa investida da importância que em cada momento teve. Como se eu jamais tivesse envelhecido. (...)

(...) Eu vivia, de resto, agora, e cada vez mais, da minha imaginação. E foi por isso a partir de então que eu descobri a violência da realidade. Nada era como eu tinha fantasiado e não sabia porquê. Parecia-me que havia sempre outras coisas à minha volta que eu não supunha, e que essas coisas tinham sempre mais força do que eu julgava. Assim, a minha pessoa e tudo aquilo que eu escolhera para mim não tinham sobre o mais a importância que eu lhes dera. Chegado à realidade, muita coisa erguia a voz por sobre mim e me esquecia. (...)

(...) Quando algum de nós se afastava para dentro de si próprio, logo a vigilância alarmada dos prefeitos o trazia de rastos cá para fora. Os superiores sabiam que, à pressão exterior, cada um de nós podia refugiar-se no mais fundo de si. Como sabiam também que a descoberta de nós próprios era a descoberta maravilhosa de uma força inesperada. Nenhuns sonhos se negavam ao apelo da nossa sorte, aí na nossa íntima liberdade. Por isso nos expulsavam de lá. Mas, uma vez postos na rua, havia ainda o receio de que as nossas liberdades comunicassem de uns para os outros e ficassem por isso ainda mais fortes. E assim nos obrigavam a integrar-nos numa solidariedade geométrica, ruidosa e exterior como de ladrilhos."


Vergílio Ferreira, Manhã Submersa

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Os Velhos

Numa semana em que o quotidiano nos chama, como sociedade de uma insensatez inimaginável, assistimos à morte solitária, trágica de pessoas que depois de terem contribuído uma vida, são esquecidos. Ninguém parece se lembrar que ali estão, pertencendo a qualquer família. Afinal de que País vêm os que vivem sozinhos, sem dignidade na hora do sono mais longo. Uma música de Brel sobre essa nossa incapacidade que permanece e ao qual o progresso tecnológico parece indiferente.

Jacques Brel, Les Vieux

O País da Coragem

No dia do lançamento da 1ª pedra da Barragem do Tua, o governo na sua máxima expressão celebra a coragem do feito, a que nenhum mortal tinha ainda ousado e que só ele governo no cumprimento estrito do grande valor pátrio conseguiu conceber. Só podemos estar satisfeitos, pois o progresso tecnológico e energético fará sair-nos desta crise incompreensível.

Afinal não sabe a EDP publicitar a sua capacidade de concretizar a biodiversidade, quando se destroem habitats, espécies vegetais e animais. As medidas compensatórias não serão aplicadas no território destruído. A própria capacidade de produção de energia eléctrica é de valor muito limitado, em valores globais. O caminho, aquele que nos têm feito tão prósperos é esta uniformização por um modelo económico que tanto dá a poucos e tanto tira a tantos.

Nada preocupante. Afinal é só um território, uma cultura, uma história. Mas em Lisboa, não conhecem o perfume dos lírios do campo, não sabem o valor do vento nas amoras, entre as caminhadas de pó e de luz. Os museus naturais não têm lugar nos gabinetes dos decisores fechados em gabinetes, onde o arco-íris é uma arqueologia, uma teimosia incompreensível.


Para relembrar a coerência com que este "País" tem tratado esse território único, o filme de Jorge Pelicano e um site que revela aos ignorantes pela memória e cultura de um território, a sua beleza que agora se inicia a sua destruição, sistemática e corajosa. Eis algo que nos devia indignar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

No Nascimento de Agostinho da Silva


"É para todos os dias que precisas de educar e afinar a alma; é para te sentires o mesmo em todos os minutos que deves dominar os impulsos e ser obstinadamente calmo ante as dificuldades e os perigos, as alegrias e os triunfos.”(…)”O que a vida apresenta de pior não é a violenta catástrofe, mas a monotomia dos momentos semelhantes; numa ou se morre ou se vence, na outra verás que maior número nem venceu nem morreu: flutua sem morte nem esperança. Não te deixes derrubar pela insignificância dos pequenos movimentos e serás homem para os grandes; se jamais te faltar coragem para afrontar os dias em que nada se passa, poderás sem receio esperar os tempos em que o mundo se vira." (1)

(Nos cento e cinco anos do nascimento de um homem que o País raramente compreendeu e que nos deu uma universalidade onde a luz das ideias, o conhecimento como iluminação poucas vezes foi tão intenso. Chama-se Agostinho da Silva, nasceu no Porto, espalhou a sua luz fundadora de ideias em vastos continentes e foi uma das figuras do século XX. Percebeu o mundo que emergiu das crises sociais e deu-nos o exemplo da coragem e do exercício da liberdade.)

(1) Agostinho da Silva, Ir à Índia sem abandonar Portugal e outros textos

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Charles Darwin...




(No nascimento de Charles Darwin, uma apresentação que nos traz a lembrança do autor da teoria da evolução, numa exposição a decorrer no Jardim Botânico do Porto. A conferir aqui.

Via http://papeldelustro.blogspot.com

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A queda do Faraó




(Há momentos fascinantes. Uma multidão reunida, com jovens, homens, crianças, mulheres, novos e anciãos em grito contra o fim da autocracia e por uma esperança nova. Uma multidão informou pela palavra, pelo gesto destemido que o Faraó ocupava ilegalmente o palácio e que o Povo não lhe reconhecia a soberania. Esta noite o faraó saiu e o que o povo do Egipto conseguiu foi extraordinário. A confirmação das esperanças é sempre um grande feito. O futuro é uma interrogação. Por hoje há que celebrar a coragem por uma soberania nova.)