quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Leituras...

"Os livros avançam pela casa, silenciosos, inocentes. Não consigo detê-los. (...)

Mas como desfazer-me, por exemplo, de O Apelo da Selva, sem apagar um dos poucos marcos da minha infância, ou de Zorba, o Grego, que com um pranto selou a minha adolescência, de a 25ª Hora, e de tantos outros há anos relegados para as prateleiras mais altas, íntegros, no entanto, e mudos, na sagrada fidelidade que nos adjudicamos. Amiúde é mais difícil desfazermo-nos de um livro do que obtê-lo. Ligam-se a nós num pacto de necessidade e de esquecimento, como se fossem testemunhas de um momento das nossas vidas ao qual não regressaremos. Mas enquanto aí permanecerem, presumimos tê-los juntado.(...)

Confesso-lhe que algumas reflexões me tentaram, mas um leitor é um viajante através de uma paisagem que se foi fazendo. E é infinita. A árvore foi escrita, e a pedra, e o vento na ramaria, a saudade dessas ramagens e o amor ao qual emprestou a sua sombra. E não encontro melhor sina que percorrer, em poucas horas diárias, um tempo humano que, de outro modo, me seria alheio. Não chega uma vida para percorrê-lo. Roubo a Borges metade de uma frase: uma biblioteca é uma porta no tempo."

Carlos María Domínguez, A Casa de Papel, Edições Asa

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dia da Internet Segura


A oito de Fevereiro de cada ano comemora-se o Dia Europeu da Internet Segura que se enquadra numa semana de destaque da segurança a ter na utilização da Internet.
Hoje, o mundo onde vivemos, o acesso à informação, a ideia que temos do mundo e os espaços de socialização são influenciadas em grande escala pela internet e os seus recursos digitais. Não é excessivo dizer que existem novas formas para aprender, conviver e comunicar.

Existe uma necessidade de primeira grandeza em utilizar criteriosamente os media e nesse sentido a internet, de modo a que cada um possa exercer a cidadania, nem afastado deste mundo digital, nem subjugado pelas suas ligações e pelos reais perigos que pode ter. Os riscos que têm que ver com a utilização do computador (segurança da informação) e com os conteúdos (segurança das pessoas).

A Seguranet (existe um link directo no blogroll do blogue) tem um conjunto de materiais e ferramentas para educadores, professores e alunos. Não só hoje, mas em qualquer momento é uma página a visitar. Destacamos dois recursos:


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Heart of Gold


Sem dúvida que já foi há tanto tempo. Quando descíamos a montanha à sombra de todas as esperanças, na confiança de que entre os castanheiros e os abetos, a alegria dos sorrisos nos dariam um infindável "heart of gold".

I've been to Hollywood
I've been to Redwood
I crossed the ocean for a heart of gold
I've been in my mind, it's such a fine line
That keeps me searching for a heart of gold
And I'm getting old.
Keeps me searching for a heart of gold
And I'm getting old.

(Há já quarenta anos que Neil Young nos encanta à procura do seu e nosso heart of gold)

Na Praça Tahrir






"O som dos passos ecoa-me na memória
ao longo da passagem que não escolhemos,
em direcção à porta que nunca abrimos
para o jardim das rosas. As minhas palavras ecoam
assim na tua memória.
Mas com que objectivo
levantando a poeira numa taça de pétalas de rosa,
isso eu não sei."

(Ao contrário de toda a realidade, o incrível aconteceu. No Egipto dos Faraós, um povo grita de uma forma insistente pela liberdade. As certezas que em tantas imagens descrevem o poder de uma minoria nas sociedades islâmicas parecem ser de outro tempo. Há um sopro de coragem em mudar, em lutar pela dignidade humana. O espírito humano dá-nos uma demonstração de como a luta contra a injustiça, a superação do medo será sempre a melhor forma de construir novos horizontes.)

(1) T.S. Eliot, Four Quartets
Imagens, in http://lavanguadia.es

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

No nascimento de Garrett


"Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana?"

(Nas viagens por um Ribatejo, onde o imobilismo social anunciava solidamente as dificuldades da sociedade liberal em se afirmar nos seus princípios mais nobres.)

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

A Guerra Colonial


É certamente uma das memórias mais lamentáveis da nossa história contemporânea. A que ditou o início do fim de um regime sombrio, onde uma geração foi sacrificada inutilmente à vontade de um homem que decidia o que um País inteiro deveria pensar e viver. É uma memória ainda pouco discutida e reflectida cara a cara com o quotidiano, por onde poderemos afirmar o que afinal somos, entre a mágoa e o futuro do que soubermos ser.

Faça lá um Poema

Quando eu for grande

Eu quando for grande
Quero ser futebolista
Mas há quem diga
Que dava um bom artista!

Com o meu talento
Posso ser arquitecto,
Por isso mãos à obra,
Para fazer um bom projecto!

Professor ou aviador
Tantas coisas que penso ser
Presidente ou agente
É simples, basta crescer!

Pedro Miguel de Matos Tavares