terça-feira, 15 de junho de 2010

A chegar...



«Todos sabem que os benefícios de ter um rinoceronte em casa são imensos. Ou não? Enfim, não serão todos... na verdade, talvez umas 4 pessoas... Bom, para aqueles que nunca pensaram nisso, acaba de chegar o livro que pode ajudar a compreender melhor o que estamos a tentar dizer: “Quem quer um rinoceronte barato?” de Shel Silverstein.

Publicado em 1964, este é o livro onde finalmente se explica o que este fantástico mamífero perissodáctilo é capaz de fazer para além de ruminar nas savanas e florestas tropicais da África e Ásia. Para além disso, também vem contrariar aqueles que o descrevem como anti-social e particularmente irritável. Puras mentiras.

Se nunca conseguiram decidir qual o melhor animal de estimação para vossa casa, não desesperem. Eis a solução que vos fará esquecer hamsters, chinchilas, iguanas, porquinhos da Índia e outros que tais. Ainda por cima, é um rinoceronte barato, fácil de tratar e cheio de talentos: adora jogar às escondidas, é muito confortável quando nos sentamos no colo dele, é uma grande ajuda quando a avó faz doces, está sempre a fazer surpresas, salta à corda, ajuda a tricotar camisolas, entre muitas outras coisas.

É verdade que há alguns problemas em ter um bichinho destes em casa, mas o que é que isso interessa quando ele nos aquece nas noites frias de inverno e faz desaparecer as más notas da escola antes que os pais as vejam.
Sejam então bem-vindos, uma vez mais, ao mundo do tio Shelby».


in http;//www.bruaa.pt

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Leituras...

«Era uma vez uma árvore... que amava  um menino. E todos os dias o menino vinha, juntava as suas folhas e com elas fazia coroas, imaginando ser o rei da floresta. Subia o seu tronco, balançava-se nos seus ramos, comia as suas maçãs, brincavam às escondidas e quando ficava cansado, dormia à sua sombra. O menino amava aquela árvore... E a árvore era feliz.» 

É um livro cuja data de publicação original é já de 1964. Shel Silverstein, um dos mais conhecidos escritor e ilustrador norte-americano, dá-nos um livro que em sucessivas gerações tem cativado pela simplicidade de uma história sobre uma árvore e um menino. A árvore assume a generosidade extrema de se esquecer de si própria, numa lição de grande ecologia sobre o significado da destruição das florestas.

É um livro que nos dá igualmente um conjunto de valores sobre as escolhas pessoais e como o tempo vai limitando as possibilidades de existência em cada quotidiano.  É um livro que tendo ilustrações muito desprovidas de cor e de grande dinamismo, dá-nos as sucessivas dádivas da árvore que se vai despojando, generosamente dos seus bens. 

É ainda um livro que nos faz questionar sobre a felicidade, a dimensão de sacrifício que pode ser ou não considerado de feliz, quando se perde o essencial. Em que medida a sua generosidade compromete a sua própria felicidade? Sendo um livro para crianças, é sem dúvida um livro marcante, pela sensibilidade que oferece aos seus leitores. Na audição feita na Biblioteca os alunos revelaram gostar desta fascinante história

domingo, 13 de junho de 2010

Leituras...


«A aula de desenho tinha terminado, mas a Vera continuava colada à cadeira. A sua folha estava vazia...»

A partir da leitura deste clássico da literatura infantil de Peter H. Reynolds, desenvolveram-se algumas actividades de expressão plástica: o ponto, a cor e o significado que lhe damos. Alguns dos exercícios de cor produzidos na Biblioteca, na motivação à leitura, mas também ao incentivo de que é sempre possível concretizar uma ideia.





Qualquer coisa entre Nova Iorque e a Sé de Braga

«Que me importa o que serei? Quero é viver. Amanhã. Espero sempre um amanhã. E a vida é sempre uma curiosidade.» (1)

Nasceu em Braga em Dezembro de 1944, e há justamente vinte e seis anos que deixou de mostrar a sua irreverência, a sua elasticidade em tornar mais amplo o olhar. Ambicionou construir uma carreira musical no momento em que o País saía do cinzentismo do Estado Novo, ainda a descobrir novas possibilidades.

Autodidacta, quis construir uma ideia musical que ligasse a tradição e a modernidade. Interrogou na sua curta carreira e vida todas as inquietações que nos assombram. Foi um homem antes do seu tempo. Do tempo das limitações tecnológicas, mas que sabia construir com determinação, com curiosidade, com alma as ideias do quotidiano.

Chamou-se António Variações e vale sempre a pena recordá-lo.

Uma das suas mais belas músicas, em homenagem a todas as mães.

(1) António Variações - Quero é Viver

A Nossa Universalidade


(Já aqui falámos dele por diversas vezes. Mas é sempre insuficiente. Ele é um património muito acima do pequeno País que o viu nascer. Deu-nos a universalidade dos sonhos, das múltiplas capacidades, das contradições e limites da natureza humana. E inventou a Língua, no sentido em que deu às palavras significados próprios, de onde nasceram atmosferas desconhecidas. Nasceu há já cento e vinte e dois anos, em Lisboa e é um poeta do Mundo. Dois breves excertos da sua genialidade).

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é sombra
De árvores alheias. (...)

Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos Deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa, no seu heterónimo Ricardo Reis
«Para ser Grande», «Segue o Teu Destino»

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luís Vaz de Camões...

No Mundo quis o Tempo que se achasse

«No Mundo quis o Tempo que se achasse
O bem que por acerto ou sorte vinha;
E, por experimentar que dita tinha,
Quis que a Fortuna em mim se experimentasse.

Mas por que meu destino me mostrasse
Que nem ter esperanças me convinha,
Nunca nesta tão longa vida minha
Cousa me deixou ver que desejasse.

Mudando andei costume, terra e estado,
Por ver se se mudava a sorte dura;
A vida pus nas mãos de um leve lenho.

Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado,
Já sei que deste meu buscar ventura
Achado tenho já que não a tenho».

Busque Amor novas artes, novo engenho

«Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal tirará o que eu não tenho!

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê».

Luís Vaz de Camões,
No Mundo quis que o Tempo que se Achasse, Busque Amor novas artes, novo engenho
in Antologia Poética

Dia de Portugal...