quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

«Sinais» ...


Todos sabemos que as Bibliotecas são espaços de encontro com a memória, de descoberta desse património único da construção humana nos limites da precaridade do seu próprio tempo. São igualmente locais de encontro de pessoas em redor da informação. Em Sinais, Fernando Alves, na sua inspirada visita aos dias, fala sobre a entrevista de Camila Alene (Associação das Bibliotecas Americanas) ao El Pays.

As ideias da bibliotecária não são de rasgada genialidade, mas chega-nos alguns olhares relativos a uma participação cada vez maior dos americanos na utilização das Bibliotecas, na sua ligação com a utilização de um cartão de leitor, no recursos das novas tecnologias, no acesso cada vez mais assegurado à informação, na construção de comunidades de leitura.

E aqui nos surge a Biblioteca como um espaço para cimentar a cidadania, na utilização de serviços que são pagos pelos impostos de cada um. Afinal, o que pode ser um «argumento interesseiro» pode nos dar um olhar generoso sobre esse espaço que Bachelard, justamente identificou como o Paraíso. A participação cívica de que somos carentes em tantas áreas pode ser feita com uma simples ideia. «Utilize melhor os seus impostos e visite o Paraíso».


(1) Imagem, in http://tsf.sapo.pt/sinais
Texto redigido a partir da emissão de Fernando Alves, Sinais de 5/01/2010

Leituras...

«Há florestas de algas, jardins de anémonas, prados de conchas. Há cavalos marinhos suspensos na água com um ar espantado, como pontos de interrogação. Há flores que parecem animais e animais que parecem flores. Agora já sei o que é a terra. Agora já sei o que é o sabor da Primavera, do Verão e do Outono. Já sei o que é o sabor dos frutos. Já sei o que é a frescura das árvores. Já sei como é o calor de uma montanha ao sol. Leva-me a ver a terra. Eu quero ir ver a terra. Há tantas coisas que eu não sei.» (1)



  Editado no último trimestre do ano que passou A Minha Primeira Sophia é uma maravilha, pela linguagem simples que Fernando Pinto do Amaral soube construir para iniciar todos neste mundo de maravilha e encanto, o de Sophia. Ilustrado de uma forma muito inspirada por Fernanda Fragateiro, este livro é uma prenda para descobrir uma das mais importantes figuras da cultura que procurou pela linhas das palavras e da vida redescobrir o bem. Entre o azul do mar e o convite dos dias, A Minha Primeira Sophia dá-nos com simplicidade a grandeza de uma figura única, que nos sabe mostrar que, num tempo de deslumbre tecnológico, são os valores humanos o ânimo para lutar contra a injustiça e amanhecer em dias mais preenchidos.



(1) A Minha Primeira Sophia, Fernando Pinto do Amaral, Pág.14
Imagens, in A Minha Primeira Sophia, de Fernanda Fragateiro


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais uma Estrela no Céu...



  Aos primeiros raios do novo ano, perdeu-se para nós, uma voz livre e bela que nos soube encantar com as suas melodias feitas de graça e intimidade. Foi imensamente simples e inquieta na procura de encontrar em diferentes linguagens, um espírito novo.
  Passou por este território que habitamos com os sons intensos e originais de uma aventura permanente. Foi um cometa que por aqui passou e da sua biogarfia o que mais importa é ouvi-la com as cores que nos encantou.
 Chamava-se Lhasa de Sela e partiu levando a sua inspiração e o seu voo, deixando-nos muito mais sós. Para ouvir, sempre. 



Imagem, in http://www.lhasadesela.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo

«Não deixes o cansaço instalar-se
em vez disso
silenciosamente
como a um pássaro
estende a mão ao milagre»  (1)

  No primeiro dia do ano e de uma nova década aqui ficam os desejos que este novo reinício seja uma possibilidade para todos em cada um dos novos dias. Que possa ser uma nova procura de felicidade, de concretização. 
 Uma nova possibilidade para um olhar novo, especial, nas palavras de Drummond de Andrade, « se entendermos  nossas fragilidades e egoísmos, e dermos volta nisso.»  Aprimorar a nossa natureza, nem sempre compreensiva e acreditar nos sonhos como desejos possíveis. Mais de que uma data, a renovação do calendário pode ser um momento de reflexão sobre o que fizemos e o que aspiramos, para estes dias. 
  A todos, que este ano possa ser (ainda nas palavras de Drummond) um tempo «(...) máximo, maravilhoso, lindo, maneiro, especial...» (2)


(1) Hilde Domin, citado de http://www.portalentretextos.com
(2) Carlos Drummond de Andrade, citado de emapretoebrancoouacores.blogspot.com
Imagem in, Peneloppe Dullagham, bubblegumfun

Decoração de Natal (Projectos de Alunos)

(Projecto vencedor com a Temática Sinos - 2º Ciclo)




(Alguns dos trabalhos realizados pelos alunos da EB 2, 3 Mem Ramires, na conclusão das actividades do 1º Período)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Estrela




«Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu, muito viva, e a essa hora passava mesmo por cima da torre. Como é que a não tinham roubado? Ele próprio, Pedro, que era um miúdo, se a quisesse empalmar, era só deitar-lhe a mão. Na realidade, não sabia bem para quê. Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto, talvez a trouxesse ao peito. E daí, se calhar, talvez a viesse a dar à mãe para enfeitar o cabelo. Devia-lhe ficar bem, no cabelo.


De modo que, nessa noite, não aguentou. Meteu-se na cama como todos os dias, a mãe levou a luz, mas ele não dormiu. Foi difícil, porque o sono tinha muita força. Teve mesmo de se sentar na cama, sacudir a cabeça muitas vezes a dizer-lhe que não. E quando calculou que o pai e a mãe já dormiam, abriu a janela devagar e saltou para a rua. A janela era baixa. Mas memso que não fosse. Com sete anos, ele estava treinado a subir às oliveiras quando era o tempo dos ninhos, para ver os ovos ou aqueles bichos pelados, bem feios, com o bico enorme, muito aberto. (...) Assim que se viu na rua, desatou a correr pela aldeia fora até à torre, porque o medo vinha a correr também atrás dele. Mas como ia descalço, ele corria mais. A igreja ficava no cimo da aldeia e a aldeia fica no cimo de um monte. De modo que era tudo a subir. Mas conseguiu - e agora estava ali. Olhou a estrela para ganhar coragem, ela brilhava, muito quieta, como se estivesse à sua espera. E de repente lembou-se: se aporta estivesse fechada?»


in, Vergílio Ferreira, A Estrela, Quetzal
(na noite em que procuramos a estrela, capaz de nos iluminar)
Imagem, in Laura David, Star_Collecting

Mensagem de Natal




(O texto já tem um ano, mas vale a pena lê-lo, pelo contexto social que nos continuar a rodear.)


Jesus, presente no nosso Natal

« À nossa volta, desde há muito tempo, somos inundados por inúmeras solicitações para comprarmos presentes. Os melhores. Os mais caros. Os mais...
Como se o Natal se reduzisse aos presentes. Presentes caros num País onde a erradicação da pobreza nos havia de mobilizar. Presentes objectivamente inúteis.
De uma inutilidade gritante. Presentes desnecessários. Presentes falsamente tradicionais.
Feitos em série. E vindos de países em que a mão-de-obra barata os aproxima de produtos obtidos em regime de escravatura.
Ontem «não havia lugar para eles na hospedaria» (Lucas 2:7). Hoje, num Natal assim, parece que continua a não haver lugar para Ele. E, afinal, o verdadeiro Natal é o de Jesus. Mais. Ele é o verdadeiro presente do nosso Natal.
E, com Jesus presente na nossa vida, podemos viver a nossa vida como presente. na relação com os outros.
Boas festas de Natal! Com Jesus Presente!»


Padre José Manuel, (Texto retirado do editorial da Revista Lux., Dezembro de 2008)
(1) Imagem, a Natividade, quadro de Josefa de Óbidos