domingo, 20 de dezembro de 2009

A Cimeira de Copenhaga


   A Cimeira do clima para reflectir e agir sobre as aletrações climáticas terminou na passada sexta-feira, em Copenhaga sem resulados muito animadores. Mais uma vez se notaram as imensas diferenças entre os Países ricos e os países em vias de desenvolvimento. Não parece excessivo dizer-se que o acordo não meditou seriamente nas ideias que a Ciência nos tem trazido e cada país agarrou-se aos seus próprios interesses nacionais. Na verdade os apoios prometidos, são escassos e pior não foram regulamentados.No fundo cada fica responsável pela sua casa, como se a Terra não fosse um património de todos.
  O acordo foi uma desilusão porque acima de tudo não definiu as metas da redução das emissões poluentes para os países desenvolvidos e nada foi definido para as etapas de redução contínua para os países menos desenvolvidos. A O.N.U. como assembleia representativa das Nações do planeta falhou um acordo que promoveu, quando nem as precárias promessas foram datadas para a celebração de um acordo realmente vinculativo. 
 Para reflectir, o que esta geração de políticos não soube ver, imagens do Árctico e de como o aumento de temperatura já está a ter profundas alterações. Alterações que chegarão ao desenvolvimento humano de diferentes partes do Planeta.




Glaciar derretendo na costa leste da Gronelândia


Em clara desintegração, o Glaciar Petermann, um dos maiores do nordeste da Gronelândia


No Canal Robeson, a 82.4 de latitude norte. perto da fronteira entre a Gronelândia e o Canadá, e que regrediu assustadoramente nos últimos anos. 


(no endereço abaixo ideias e recursos para alimentar a consciência e o protesto por um planeta menos poluído e mais humano).

Imagens, in http://www.greenpeace.org/internacional

Memória de Erico Veríssimo

«(...) Quero falar de ti. Lembras-te daquela tarde em que nos encontramos nas escadas da Faculdade? Mal nos conhecemos, tu me cumprimentaste atrapalhado, eu te sorri um pouco desajeitada e cada qual continuou o seu caminho. Tu naturalmente me esqueceste no instante seguinte, mas eu continuei pensando em ti, e não sei porquê, fiquei com a certeza de que havias de ter uma grande, uma imensa importância na minha vida. São pressentimentos misteriosos que ninguém consegue explicar.

Hoje tens tudo quanto sonhavas: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugénio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo subindo as escadas do edifício da Faculdade, envergonhado da sua roupa surrada. Continua em ti a sensação de inferioridade (perdoa que te fale assim…), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma pontinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há-de nascer o novo Eugénio.

Uma noite me disseste que Deus não existe,que em mais de vinte anos de vida não o pudeste encontrar. Crê que nisso se manifesta a magia de Deus. Um Ser que existe mas é invisível para uns, e mal perceptível para outros e de uma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou para os que adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou da profunda compreensão da vida. (...)
Quero que abras os olhos, Eugénio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues na minha Bíblia, que está na estante de livros, perto do rádio, e leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar nesse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu com um deles. Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar de papo para o ar, esperando que tudo nos caia do Céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Mas precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do Céu. (...)
Há na Terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de acção e não um puro contemplativo. Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, do espirito de cooperação. E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do Mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há-de levar. Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade».
in Erico Veríssimo, Olhai os Lírios do Campo

Há só três dias, passaram cento e quatro anos sobre o nascimento de um dos grandes escritores de língua portuguesa, o brasileiro Erico Veríssimo. Aqui fica a sua memória de um livro que nos dá uma imensa lição de humanidade, Olhai os Lírios do Campo.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sobre a Educação...


«Os professores são os responsáveis pelos problemas de indisciplina na sala de aula. (...) Boa parte dos conflitos resulta da incapacidade que o professor tem de ouvir os pontos de vista dos alunos. (...) Os professores não souberam adaptar-se às novas realidades.» (1)

Um Blogue de uma Biblioteca serve, também, para que se discutam ideias e se exerça um plano de cidadania. Quando partimos para este projecto e pela especificidade das escolas interessa-nos muito mais aquilo que nas palavras de Alice será o outro lado do espelho, onde se inventam imagens e sons de uma fantasia imaginada e vivida.

No entanto as questões relativas à educação também merecem uma palavra. E quem olha com espanto e assombro o real não pode ficar indiferente a palavras, que não sendo novas espelham uma ideologia velha, gasta que em diferentes palcos suporta o trágico estado da educação neste País.

Desde o século XIX, que os positivistas julgaram ser possível determinar o comportamento humano com a mesma cientificidade que uma raiz quadrada, pensando que seria possível criar as coordenadas da acção humana. A Psicologia seria assim o suporte desta compreensão total do homem. Acontece que a Psicologia não é uma Ciência Exacta, é justamente um suporte para organizar as acções e os comportamentos. Quem não compreende isto, torna-se vítima das certezas que quer vender sem nenhuma justificada credibilidade. Algumas perguntas.

Em que salas foram testadas as conclusões que permitem ao nosso psicólogo, sustentar que a indisciplina é a consequência da falta de oportunidade em expressar os seus pontos de vista? Todos os pontos de vista? À falta de educação, o desrespeito pelos outros, e não só ao professor, é um simples exprimir de ponto de vista? Aonde se fundamenta a ideia de que não há liberdade de expressão nas salas de aula?

Esta é uma perspectiva que nos tem naufragado, impedindo a valorização do esforço, da persistência, onde o conhecimento é minimizado, onde todas as abordagens têm de evitar as categorias abstractas do pensamento, numa palavra a facilidade e o divertimento. Assim se construiu um sistema educativo que reparte privilégios, na ilusão que são direitos universais, que reproduzem a falta do saber e impedem a evolução social.

E não foram os professores que não se adaptaram às mudanças. Foi a sociedade que não o conseguiu fazer, que não soube implicar a escola numa mudança. A escola não foi vista numa mudança porque alguns dos aspectos culturais que importava que participasse em transformar são considerados valores respeitados e reproduzidos. Como se pode educar para o valor estético se os media e principalmente a televisão apresentam o que todos conhecem. O que pode a palavra, o gesto, a cultura, a escola perante este desfilar de personagens em noites sem encanto?

E depois há os alunos, de que o senhor psicólogo simplesmente se esqueceu, o mais importante.
Os alunos transportam camadas de insegurança, medo, incertezas sobre um caminho que não sabem onde vai dar a Escola, o seu esforço, as suas possibilidades. Transportam cadernos, lápis, mas também desgostos, às vezes mais incompreensões que vontades. E muitas vezes não é fácil ao professor dislumbrar o caminho que vai da sabedoria, do conhecimento ao seu contrário, sobretudo numa dimensão de escola com demasiadas áreas, disciplinas e sobretudo horas. Alguém achará positivo e até humano, uma criança, ao nível de um 1º Ciclo ficar numa escola mais tempo que um operário numa fábrica? Faz isto sentido?

Existem demasiadas certezas, modas que uns tantos vão declamando para o espaço educativo como se fossem a última descoberta da Ciência. E afinal basta-nos criar uma confiança crítica e responder ao essencial. A indisciplina é um território vasto, complexo, necessitando de abordagens diversas, tão plurais como o coração e não é uma vista aberta como sugere o senhor psicólogo. Um pouco mais de humildade e de sabedoria para traçar um caminho mais eficiente para a escola e para o futuro da educação e dos jovens, neste país.


(1) Luís Picado, Coordenador do Instituto de Ciências Educativas
(citado do Jornal i-online)
Imagem, in http://www.fan.pop.com

Memória de Livros



«A porta da biblioteca dava para o corredor, ali onde eu fazia as minhas correrias nocturnas, cada vez mais espaçadas. Mas no silêncio da manhã, na suave penumbra, pareciam renascer do chão mágicas travessias e um aroma a cera e a madeira e a tapete aquecido pelos radiadores que tornaram a despertar em mim a magia das minhas viagens a sonhos e descobertas secretas. (...)


Com frequência, deitávamo-nos no chão, de barriga para baixo, partilhando o mesmo livro e  o mesmo bocadinho de tapete. Tacitamente escolhíamos sempre o mesmo bocado, com os mesmos desenhos e cores, uma mescla de losangos e círculos azuis e castanhos. Com os dias, acabou por ser um território próprio, uma espécie de refúgio-cabana num bosque, onde entrávamos para nos transferirmos para espaços visíveis através das suas palavras, de onde saíamos para nos reincorporarmos no mundo exterior. Eu via aquele bocadinho de tapete como porta, fechadura e chave de um país só nosso. Abria-se ao entrar, fechava-se ao sair. Um segredo tão íntimo que nem sequer se podia referir em silêncio, com o livro aberto e partilhado. (...)


Semiabraçados sobre a dobra, aquela dobra do lençol que, como uma vela, ainda retém o vento das Viagens de Gulliver, ou a solidão de Robinson, ou a inquietação do jovem Jim, de a Ilha do Tesouro... E, sobretudo isso, uma fuga sem fronteiras, sem meta sequer, que nos arrastava até à Ilha de Jim ou ao País do Nunca. (...) 


Era uma varanda bastante grande, com balaustrada de arenito. A parede que nos separava da varanda vizinha parecia imitar os cenários do Teatro das Crianças. Tão frágeis, tão irreais, e tão verdadeiras. (...)
Gavi declarou:
- Este é o castelo que te disse ...
Aquela janela captara um céu nosso, imenso, e nele regressámos ao território de um tapete com losangos azuis e castanhos sobre o qual ouvíamos, mais do que líamos, a voz das histórias ou dos sonhos que povoaram a nossa primeira infância.»


in, Ana Maria Matute, Paraíso Inabitado, Planeta 
Imagem, Sophie Blackwall.butterflies


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O Cartão da Biblioteca

Alguns dos trabalhos apresentados à votação, para a escolha do logótipo do cartão da Biblioteca e Centro de Recursos na EB 1 dos Leões.



Ana Margarida Garcia

Maria Luísa

Ana Beatriz Fernandes


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Circo - Joana Januário e Tatiana Vieira (4ºA)

O circo

O circo tem palhaços
Palhaços engraçados
Engraçados são os cães
Cães dançarinos
Dançarinos são os homens
Homens do circo
Circo que tem tigres
Tigres comilões
Comilões e brincalhões
Brincalhões são os dromedários
Dromedários que fazem vénias
Vénias também fazem os cavalos!


Imagem, in jogos-e-brincadeiras.blogspot.com

O Livro e a Leitura

Selecção de alguns dos desenhos feitos pelos alunos, a partir da exploração de uma poesia, Os Livros.


Maria Esteves (4ºA)


Luís Lin (4ºA)


Sofia Franco (4ºA)


Eduardo Matos (4ºC)